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Uma paisagem do campo, com natureza abundante do cerrado, cavalos, boiada e berrante, assim era o cenário em meados de 1940, onde fazia a ligação entre Araguari e a região das Fazendas Bocâina e Macaúbas, no vale do Rio Jordão. Ao longo deste cenário de grande movimentação de tropeiros, carreiros e boiadeiros, um lugar chamava a atenção pela beleza e exuberância da natureza que ali se avistava. A pouco mais de 5 km do centro da cidade, nas cabeceiras do Córrego dos Verdes e do Córrego Pica-Pau, este lugar, com uma riquíssima fauna e flora, se destacava pela quantidade de pássaros, como bem-te-vis, periquitos, tucanos, pica-paus e árvores como ipês, paineiras, sucupiras, cobriam a encosta de onde nasciam veios d'água, formando pequenos riachos que cortavam brejos, dando vida e beleza à região.


Em meados do século passado, por volta de 1950, o proprietário daquelas terras, Sr. Ernesto Golia, naturalmente estimulado pela maravilha do lugar, resolveu transformar parte daquele recanto em uma área de lazer, dando o primeiro passo para seu aproveitamento, através da construção de uma represa e limpeza do local, para que as pessoas pudessem nadar, não só na represa, mas também nos vários poços e remansos formados pelo córrego e nascentes.

O lugar até então quase selvagem, passou a receber visitantes da cidade, especialmente os convidados do proprietário Ernesto Golia, que ali promoviam encontros, se tornando uma diversão comum entre os moradores da cidade à procura de contato com a natureza.

Nesta época funcionava no centro da cidade de Araguari o famoso “Clube Cairo”, na Rua Rui Barbosa, comandado pelo competente João Rugiadini, dedicado ao setor da diversão pública, onde trabalhava também ajudando o Sr. Milton Lemos na condução do Cine Rex, o lendário cinema mais importante da região.

Foi então que Waldeck Duarte e Luiz Fernando Vilela, na época dois jovens empreendedores da cidade, se juntaram e idealizaram a construção de um moderno clube de campo. E o local escolhido, como não poderia deixar de ser, foi exatamente aquele antigo recanto, um pedaço da fazenda do Sr. Ernesto Golia, já conhecido na época como Pica-Pau, chamado assim pelo abundância dos pássaros dessa espécie. Aos dois empreendedores, se juntou o engenheiro Atabalipa Andrade Filho, e os três deram inícios à empreitada, fundando o Pica-Pau Country Club.

 



No início dos anos 60, Araguari, estimulada pelo ciclo de desenvolvimento vindo pelo país, também foi despertada pela necessidade de crescer e se modernizar. Novos empresários surgiram acreditando nas potencialidades econômicas da cidade. A construção de Brasília, bem como as novas rodovias eram exemplos dessa expansão. Nesse embalo, novos empreendimentos públicos e privados começaram a surgir, o setor industrial da cidade foi incrementado por pequenas e médias indústrias, e o comércio não ficava atrás com novos estabelecimentos que surgiam. Foi nesse ambiente de otimismo que começou a prosperar a ideia da construção de um clube de lazer que atendesse os araguarinos.

 

Com a intenção de expandir as atividades do Clube Cairo, João Rugiadini passou a explorar a região da fazenda do Sr. Ernesto Golia, com o objetivo de transformar o lugar em um verdadeiro Clube de Campo. Assim melhorou as instalações existentes, bem como passou a promover festas no local, despertando o interesse dos araguarinos. Aquela região passou a ser frequentada pelos apreciadores da natureza, surgia assim o embrião do Pica-Pau Country Club. Com o passar do tempo, o estado de saúde fez com que João Rugiadini interrompesse seu empreendimento, devolvendo aos donos daquelas terras os direitos de uso das mesmas.


              Adquirida a gleba de três alqueires, deu-se início a construção e, ao mesmo tempo, a legalização dos documentos do novo clube.  E assim no dia 3 de março de 1963, lavrou-se, com as solenidades de estilo, os Estatutos de Fundação do Clube, que a partir desta data passou a ter existência legal. Nos primeiros anos foi logo posto em prática o lançamento de ações, que vendidas, tornavam o sócio adquirente, acionista do clube. No final dos anos 60, com o clube já consolidado, e ante a necessidade de expansão, os sócios cotistas, agora em grande número, em uma Assembleia realizada em 9 de fevereiro de 1967, elegeram a nova Diretoria, sendo eleito como Presidente o Cel. Widger Stelling, antigo comandante do Batalhão Ferroviário da cidade, que deu grande impulso ao clube graças a sua sintonia com as estruturas políticas da época.